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Regresso ao escritório: um guia sensorial para conceber espaços que convidem ao regresso

Regresso ao escritório: um guia sensorial para conceber espaços que convidem ao regresso

SETEMBRO 2025
·
5 minutos
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O regresso ao escritório não deve ser um retrocesso, mas sim uma oportunidade para repensar os espaços com base na experiência das pessoas. A neuroarquitetura ensina-nos que os ambientes têm um impacto direto no nosso cérebro e nas nossas emoções. Então, como é que deve ser o escritório para o qual queremos regressar?

Trata-se de conceber ambientes que cuidem das pessoas, equilibrem a produtividade com a vida pessoal e transformem o escritório num local onde queremos estar, e não onde temos de estar. A resposta está nos sentidos.

Um escritório saudável e motivador é aquele que estimula de forma positiva o que vemos, ouvimos, tocamos, cheiramos e sentimos.

Desafios do regresso ao trabalho presencial

O regresso ao escritório suscita dúvidas tanto entre os colaboradores como nas empresas. Eis alguns dos principais desafios:

  • Equilíbrio entre vida pessoal e profissional: muitos trabalhadores receiam perder o equilíbrio alcançado com o teletrabalho.
  • Ergonomia e saúde: voltar a passar horas em cadeiras e secretárias inadequadas pode causar desconforto e cansaço.
  • Deslocações: o tempo gasto nas viagens de ida e volta tem um impacto direto na motivação e no bem-estar.
  • Resistência à mudança: após anos de flexibilidade, nem todos estão dispostos a que lhes seja exigido o regresso ao escritório de forma forçada.

Para superar estes desafios, o espaço físico deve oferecer experiências que justifiquem o regresso e que tragam valor acrescentado em relação ao teletrabalho.

O que vemos: luz e harmonia visual

A visão é o principal canal através do qual percebemos e processamos o ambiente de trabalho. Por isso, dispor de luz natural não é apenas um recurso estético, mas sim uma necessidade biológica. A iluminação influencia diretamente os nossos ritmos circadianos, a qualidade do sono e a concentração durante o dia de trabalho.

Da mesma forma, as cores de um espaço influenciam a forma como nos sentimos: tons suaves em zonas de concentração proporcionam serenidade, enquanto paletas mais vibrantes em áreas de criatividade podem estimular a energia e promover o trabalho em equipa. A ordem visual também desempenha um papel fundamental. Espaços desobstruídos, com um design simples e coerente, reduzem a fadiga mental e ajudam a manter o foco no que é importante.

Uma dica prática? Coloque os postos de trabalho perto das janelas e complemente com iluminação biodinâmica.

O que ouvimos: conforto acústico

O som é um dos fatores que mais influencia o bem-estar no escritório, embora muitas vezes passe despercebido. O excesso de ruído perturba a concentração e aumenta os níveis de stress, o que tem um impacto direto na produtividade. Para evitar isso, é recomendável conceber espaços que integrem soluções acústicas, como painéis absorventes ou cabines acústicas para chamadas, videoconferências e maior privacidade. Estas medidas permitem criar ambientes tranquilos em áreas de concentração, sem abdicar de zonas mais abertas e dinâmicas concebidas para a colaboração.

O equilíbrio acústico transforma o escritório num local mais acolhedor, onde cada atividade encontra o seu lugar adequado. 

O que abordamos: ergonomia e texturas naturais

O toque está diretamente ligado à nossa sensação de conforto. Sentar-se numa cadeira ergonómica que se adapta ao corpo, trabalhar numa secretária regulável ou apoiar as mãos em superfícies agradáveis transforma completamente a experiência de trabalho.

A neuroarquitetura sublinha a importância destes elementos, pois determinam a postura, o movimento e, consequentemente, a saúde a longo prazo. Além disso, as texturas desempenham um papel emocional: materiais acolhedores como a madeira, os tecidos naturais ou os acabamentos suaves transmitem proximidade e bem-estar. Se, além disso, estes materiais forem reciclados ou certificados, o benefício multiplica-se ao adicionar sustentabilidade e responsabilidade ambiental à experiência física.

O que sentimos no nariz: ar puro e natureza

O olfato é um sentido poderoso, capaz de evocar memórias e emoções em segundos. No escritório, garantir uma boa qualidade do ar é essencial para a saúde e a produtividade. A ventilação natural e os sistemas de purificação ajudam a manter um ambiente limpo e livre de agentes poluentes, melhorando a concentração e reduzindo o cansaço.

A isto podem juntar-se aromas suaves associados à natureza, como o frescor das plantas ou o cheiro da madeira, que transmitem calma e segurança. Introduzir vegetação real no espaço, além de melhorar a qualidade do ar, proporciona um estímulo positivo que reforça a ligação com o ambiente natural.

O que sentimos: sentimento de pertença e emoção

Para além dos sentidos físicos, o escritório deve proporcionar uma experiência emocional que motive as pessoas a regressarem. O design inspirado na filosofia da hospitalidade faz com que o espaço pareça acolhedor, como um local que cuida e valoriza quem o frequenta. Espaços sociais bem concebidos, recantos para descanso e zonas de convívio favorecem a conversa espontânea e a criatividade partilhada, reforçando os laços entre as equipas.

E por trás de tudo isto, a sustentabilidade torna-se um fio condutor que liga os colaboradores a um propósito maior: trabalhar num local que não pensa apenas no seu bem-estar imediato, mas também no futuro do planeta.

Como avaliar o sucesso do regresso ao escritório?

Conceber escritórios saudáveis e sustentáveis é um passo importante, mas também é necessário avaliar o seu impacto. Algumas ideias para avaliar se o novo design do espaço de trabalho está realmente a surtir efeito são:

  • Satisfação dos colaboradores: inquéritos sobre o ambiente de trabalho e o bem-estar.
  • Retenção de talentos: analisar se o novo escritório ajuda a reduzir a rotatividade.
  • Produtividade e desempenho: comparar os resultados antes e depois da implementação.
  • Utilização do espaço: monitorizar a ocupação real das salas, postos de trabalho e áreas comuns.
  • Impacto na sustentabilidade: redução da pegada de carbono, eficiência energética e escolha de materiais responsáveis.

Estas métricas permitem avaliar de forma objetiva se a remodelação do escritório corresponde às expectativas e necessidades das equipas. Porque o regresso ao escritório não deve ser uma imposição, mas sim uma experiência que as pessoas escolham viver. Espaços ergonómicos, sustentáveis e concebidos com base na neuroarquitetura são a chave para transformar a perceção do trabalho presencial.