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Conversa com Fran Silvestre sobre arquitetura, design e saúde

Conversa com Fran Silvestre sobre arquitetura, design e saúde

ABRIL 2025
·
5 minutos
Fran Silvestre perante o público
Fran Silvestre perante o público
«Quanto mais compreendermos a influência do ambiente na nossa saúde e no nosso estado de espírito, mais poderemos transformar a forma como concebemos e habitamos o mundo.»

Desde que, há já duas décadas, fundou o seu estúdio de arquitetura e design em Valência, Fran Silvestre tem sabido perceber o que as pessoas precisam para viver melhor. Projetos de maior ou menor escala, desenvolvidos com mais ou menos recursos, e nos quais está sempre presente a mesma filosofia: industrializada, sustentável e que permite desfrutar de uma experiência única e personalizada. Uma aposta na saúde e no bem-estar que agora dá mais um passo em frente, através de uma colaboração com o Laboratório de Neuroarquitetura da UPV, que lhe permitiu compreender o impacto real que o design e a arquitetura têm na saúde das pessoas.

Habitação decorada com mobiliário da Actiu
Habitação decorada com mobiliário da Actiu

Ao longo da vossa trajetória, têm trabalhado com marcas de diversos setores. Qual diriam que é o fio condutor que une todos os vossos projetos?

O fio condutor invisível entre os projetos é que todos eles, de uma forma ou de outra, por uma razão ou por outra, nos fizeram sair da nossa zona de conforto. E é aí, paradoxalmente, que nos sentimos à vontade. Porque são um convite para aprender algo novo, para questionar os nossos processos de trabalho, para explorar novos campos ou áreas, para pôr em prática novas soluções. E isso é o que nos motiva.

O fio condutor visível entre os projetos tem a ver com a vontade de contar histórias que criem uma ligação com as pessoas. É por isso que tentamos que as narrativas que criamos partam de uma perceção com a qual as pessoas se identifiquem ou através da qual se possam projetar.

Atualmente, o projeto continua a evoluir com novas tipologias e melhorias nos materiais e na tecnologia, mantendo o compromisso de oferecer uma arquitetura responsável e de elevada qualidade.
Sala com mobiliário Actiu
Sala com mobiliário Actiu

Embora já há algum tempo que ouvimos falar de bom design e sustentabilidade, a ideia de que os espaços podem melhorar o bem-estar e a saúde das pessoas é algo relativamente novo, tema sobre o qual o Laboratório de Neuroarquitetura da UPV está a investigar. Fale-nos sobre a colaboração que realizaram com eles nas NIU Houses, como surgiu e o que vos trouxe.

A colaboração com a UPV surge de uma relação de longa data com a instituição, uma vez que sou professor na universidade há mais de 20 anos. O Laboratório de Neuroarquitetura estava interessado em alargar a sua investigação a construções reais e em divulgar os resultados dos seus estudos e, ao descobrirem no relatório da Welov que o nosso estudo é o que tem maior repercussão nas redes sociais a nível mundial, viram, entre outros motivos, uma oportunidade para trabalharmos em conjunto. Esta sinergia permitiu-nos explorar como a neuroarquitetura influencia a perceção e o bem-estar de quem habita os espaços, neste caso as NIU, aplicando metodologias inovadoras e ferramentas derivadas da neurociência para avaliar o seu impacto em tempo real.

Graças ao Laboratório, pudemos analisar, a partir de uma abordagem científica rigorosa, o impacto que o design tem na nossa saúde e compreender como aspetos como a iluminação circadiana, a altura livre, os materiais ou o mobiliário influenciam o nosso estado de saúde e humor. Todas estas ferramentas permitiram-nos perceber o que estamos a fazer bem e o que estamos a fazer mal, e em que aspetos podemos melhorar.

Falas de como os espaços nos identificam e, embora muitas vezes pareçam iguais, tanto o mobiliário como a arquitetura adquirem um significado ou outro consoante o local onde são colocados. Que papel atribuis ao mobiliário nos teus projetos e como, na tua opinião, podemos, a partir de empresas como a Actiu, ajudar a melhorar a saúde das pessoas?

O mobiliário é uma extensão da arquitetura e desempenha um papel fundamental na forma como vivenciamos os espaços, e é verdade que o nosso «sistema de objetos» nos identifica. Não só complementa o design, como também define a relação entre o utilizador e o seu ambiente, influenciando o conforto, a funcionalidade e o bem-estar.

Através de empresas como a Actiu, é possível contribuir para melhorar a saúde das pessoas por meio do design ergonómico, da utilização de materiais saudáveis e de soluções que promovam a flexibilidade e o conforto nos espaços de trabalho e de vida. A arquitetura e o mobiliário devem estar alinhados para criar ambientes que otimizem a experiência do utilizador e promovam o seu bem-estar.

Fran Silvestre a apresentar os seus projetos
Fran Silvestre a apresentar os seus projetos

Sob o lema «Redesenhar o mundo», o MDF procura fazer as coisas de forma diferente, a partir de uma abordagem mais responsável, que cuide das pessoas e do planeta. Um desafio ao qual cada vez mais nos unimos, mas que é importante divulgar. Acham que estamos preparados para esta mudança ou ainda há um longo caminho a percorrer? Qual é, na vossa opinião, o próximo passo?

A transição para uma arquitetura e um design mais responsáveis é uma necessidade incontornável e, embora tenhamos avançado muito, ainda há um longo caminho a percorrer. A consciência sobre a sustentabilidade e a saúde está cada vez mais presente, mas ainda é necessário integrar estes valores de forma mais profunda nos processos de design e construção, não apenas como uma opção, mas como um padrão.

O próximo passo é continuar a apostar na inovação em materiais e sistemas de construção que minimizem o impacto ambiental e melhorem a saúde das pessoas, ao mesmo tempo que se promove uma arquitetura mais flexível e adaptável às necessidades em constante mudança. A neuroarquitetura desempenha um papel fundamental neste processo, uma vez que nos permite conceber espaços que não só sejam sustentáveis, mas que também melhorem o bem-estar emocional e cognitivo de quem os habita. A divulgação é fundamental: quanto mais compreendermos a influência do ambiente na nossa saúde e estado de espírito, mais poderemos transformar a forma como projetamos e habitamos o mundo.

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